Revelando os Mistérios de Daniel - Capítulo nº 03 - Estudos Bíblicos Adventistas

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Revelando os Mistérios de Daniel - Capítulo nº 03

Revelando os Mistérios de Daniel
Desafiando o Decreto de Morte
 
O mistério do sofrimento e desapontamento deixa todas as pessoas perplexas. Onde está Deus quando estamos abalados, deprimidos, estressados e sofrendo? O terceiro capítulo de Daniel faz-nos conhecer um Deus que sofre por nós, vela por nós e enfrenta as dificuldades conosco.
 
Alguns anos atrás, havia um garoto numa cidadezinha do Estado de Vermont, Nova Inglaterra. Num dia quente de verão, com a temperatura acima dos 35°C e a umidade do ar muito alta, as pessoas caminhavam pela rua transpirando em bicas. Quase nada estava acontecendo naquela pequena e sonolenta cidade de 3.500 habitantes. O garoto estava num velho banco de madeira, defronte a uma antiga loja de variedades. Ele tinha numa das mãos uma faca e noutra um ramo de árvore, e começou a cortar, cortar, cortar, cortar até que nada mais restasse. Então o velho relógio de pêndulo na parede começou a badalar. Deu uma e duas badaladas. Duas horas, a hora certa. Então, badalou três, quatro, cinco, seis e sete… o relógio enguiçou e tocou treze, catorze, quinze… Os olhos do menino se arregalaram e ele ficou de boca aberta. Jogou a faca de um lado e o galho de outro e saiu correndo esbaforido pela rua (imagine essa carreira numa pequena e pacata cidade do Interior, onde a monotonia é rotina diária). As pessoas estão assentadas descansando em cadeiras de balanço, nas varandas de suas casas, umas cochilando, outras com os olhares perdidos alhures, ou dormindo em suas camas. Ouvem a voz estridente do garoto: ―Acordem! acordem! nunca houve antes um atraso como este.‖  
 
Isso realmente é verdade. Nunca houve um atraso como este na história. No capítulo anterior estudamos a pedra que destruiu a rica imagem de Nabucodonosor. É certo que não estamos vivendo nos dias de Babilônia, Medo-Pérsia, Grécia, Roma, ou nos dias da divisão do império romano. Estamos no fim do final dos tempos. Enfrentando hoje os eventos que ocorrem antes da volta de Cristo.
 
Daniel, capítulo 3, descreve uma história surpreendente nos dias de Daniel, que tem seu paralelo nos últimos dias mostrados em Apocalipse. O livro de Daniel é dividido em duas partes: profecias e histórias. As profecias revelam os acontecimentos históricos ocorrentes antes da volta de Jesus e os grandes eventos que ocorreram desde os dias de Daniel até os nossos. As histórias falam de oração, fé e qualidades de caráter que nos preparam para a volta de Cristo. Daniel, capítulo 3, relata uma história surpreendente. Se você estiver com sua Bíblia em mãos, abra-a em Daniel capítulo 3.  
 
No capítulo dois mostramos um Deus Salvador que penetra em meio às chamas de nossa vida e é o Revelador do futuro. No capítulo três, Ele é o Redentor de Seu povo, No capítulo quatro, Ele é o Rei, o Soberano.  
 
Contrariando o Sonho
 
―O rei Nabucodonosor fez uma imagem de ouro que tinha sessenta côvados de alto e seis de largo [o côvado real babilônico tinha cerca de 60cml; levantou-a no campo de Dura, na província de Babilônia.‖ Dan. 3:1. Agora, espere um pouco; há uma imagem no capítulo dois (lemos a respeito dela), mas agora surge uma imagem diferente no capítulo três. Quem revelou a imagem para Nabucodonosor no capítulo dois? Daniel fez a revelação. Mas quem deu a imagem a Nabucodonosor? Deus. Quem fez a imagem do capítulo três? Deus? Não, não era a imagem conferida por Deus. Por quem, então? Nabucodonosor.  
 
No capítulo dois, você têm a legítima linha da história: uma imagem com cabeça de ouro, peito e braços de prata, ventre e os quadris de bronze, pernas de ferro, pés em parte de ferro e em parte de barro. Já no capítulo 3, a imagem é toda de ouro, criada pelo homem, exigindo adoração falsa estabelecida por seres humanos. E algo interessante sobre esse capítulo é que a imagem foi feita com sessenta côvados de altura, por seis de largura. Na simbologia numérica bíblica, o número seis na Bíblia sempre representa imperfeição, rebeldia. Sete é símbolo de perfeição. Seis é símbolo de imperfeição, perdição, desobediência. Então, você tem aqui uma imagem feita com dimensões projetadas pelo homem representando o caminho humano em vez do divino.  
 
Nabucodonosor fez essa colossal imagem toda de ouro no campo de Dura. Uma imagem falsificada, criada pelo homem e não por Deus. ―Então o rei Nabucodonosor mandou ajuntar os sátrapas, os prefeitos e governadores, os juízes, os tesoureiros, os magistrados, os conselheiros e todos os oficiais das províncias, para que viessem à consagração da imagem que o rei Nabucodonosor tinha levantado‖. Quem fora convidado? Prefeitos, governadores, juízes, tesoureiros, todos que eram VIPs, famosos, insignes, vieram. Se você não conseguisse um convite para essa cerimônia a realizar-se no campo de Dura, era tão-somente um joão-ninguém, sem qualquer importância para o império.  
 
As Escrituras dizem que todos vieram — prefeitos, militares de alta patente, pessoas importantes como juízes, tesoureiros, políticos. Da sala do trono babilônico promulgou-se um decreto (verso 4): ―Ordena-se a vós outros, ó povos, nações e homens de todas as línguas: No momento em que ouvirdes o som da trombeta, do pífaro, da harpa, da cítara, do saltério, da gaita de foles, e de toda sorte de música, vos prostrareis, e adorareis a imagem de ouro que o rei Nabucodonosor levantou.‖ Veja agora as implicações da questão. Ali estava uma imagem falsa, toda de ouro, feita por homem e não por Deus, e todos os governadores representando seus povos vieram para o campo de Dura. O campo de Dura estava lotado. Havia pessoas por vários quilômetros pelo campo de Dura e a imagem de ouro num pedestal de sessenta côvados. Um colosso impressionante! Compare com a altura de uma residência térrea? Qual altura? Uns seis metros, talvez. Pois bem, Então 36 metros equivalem a um prédio de mais ou menos dez andares. Imagine-se andando pelas ruas de uma cidade grande e olhando para cima. Você se detém numa esquina e depara um prédio de dez andares. Enquanto está observando o edifício, alguém para ao seu lado e pergunta: Por que você está olhando para cima? Talvez você responda: ―Eu só estava pensando no tamanho desse prédio, comparando-o com imagem que Nabucodonosor ergueu no campo de Dura. Trinta e seis metros incluindo o pedestal!  
 
Mas dez andares de altura naquele vasto campo de Dura, no deserto, produzia impressão muito maior do que um prédio perdido em meio a uma floresta de concreto e ferro. O rei a construíra como monumento para sua glória. Entretanto, você está lembrado da imagem verdadeira do capítulo 2 de Daniel? Qual parte era de ouro? A cabeça. Mas agora toda a imagem era de ouro. ―Bem‖, disse Deus a Nabucodonosor, ―o seu reino, Babilônia, é representado pelo ouro, mas outro metal, a prata, irá substituí-lo‖. Então Nabucodonosor retrucou: ―Não é bem assim, Senhor. Não pode haver uma imagem com a cabeça de ouro, outro império de prata e outro de bronze. Toda imagem é de ouro. Meu reino permanecerá para sempre.‖  
 
De fato, em recentes pesquisas arqueológicas no sítio da antiga Babilônia, foi descoberto um tablete de barro com a assinatura de Nabucodonosor, que os arqueólogos dizem ser autêntica, com a seguinte inscrição: ―Oh! Babilônia, o deleite dos meus olhos, a excelência de todos os reinos. Que meu reino, Babilônia, permaneça para sempre e sempre e sempre.‖ Aí Nabucodonosor está dizendo: ―Nada feito, Deus, não vou aceitar Sua determinação, meu caminho é melhor que o Seu.‖ Note a crucial questão sobre o assunto da imagem. Na antiga Babilônia, Nabucodonosor ordenou a todos os mais eminentes líderes das nações que compunham seu império, a se curvarem e adorarem a imagem.  
 
Passemos ao verso 6: ―Qualquer que não se prostrar e adorar a imagem, será no mesmo instante lançado na fornalha de fogo ardente.‖ Observemos cuidadosamente o que está acontecendo lá no campo de Dura. Você vê um rei corrupto e uma imagem falsa nesse capítulo. Mas ao término do estudo, você verá o compassivo Jesus Cristo. Um tempo de prova, um julgamento sumário, tendencioso e dramático. Um soberano mundialmente poderoso, Nabucodonosor, baixa um decreto universal. É exigida obediência compulsória de todas as nações, povos e tribos. Todos são forçados a adorar, mesmo que não creiam. A questão de ponta é a adoração.  
 
Aquela falsa imagem é uma oposição direta à verdade divina. Foi um tempo muito difícil, nunca experimentado ou visto antes, porque a fornalha estava aquecida sete vezes mais. E os três hebreus, como veremos, desafiaram a morte e foram salvos milagrosamente. Fico pensando num soberano poderoso, numa imagem falsa, numa adoração forçada, obrigatória. Igreja e Estado unidos em Babilônia. Nabucodonosor não só comanda a religião política, como também a religião espiritual. Pergunto-me se algo parecido poderá acontecer novamente. Pergunto-me se isso é apenas uma bela história ocorrida há 2500 anos. Será que a Igreja e Estado se unirão novamente no fim dos tempos? Será que vai haver uma imagem falsa no final dos séculos? Será que as pessoas poderão enfrentar a pena de morte?  
 
Os Livros Paralelos da Bíblia
 
Quais são os dois grandes livros proféticos da Bíblia? O livro de Daniel no Velho Testamento é um. E qual o outro? Apocalipse. O Novo Testamento. Venha comigo para uma viagem pelo livro de Apocalipse, mas deixe Daniel aberto. Apocalipse, capítulo 13. Não vamos responder a todas as perguntas referentes a esse texto agora; apenas quero mostrar o paralelismo de Apocalipse com Daniel. As questões de Daniel hão de se repetir nos finais dos tempos: um soberano poderoso, a união de Igreja e Estado, adoração obrigatória e obediência forçada; um tempo de prova e um livramento miraculoso. Talvez a história de Daniel seja mais do que um simples relato do que aconteceu naquele tempo; talvez a história de Daniel, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego no campo de Dura seja uma maquete, uma miniatura do que Deus está revelando em nossos dias.  
 
Preste atenção no capítulo 13, verso 12, de Apocalipse: ―Exerce toda a autoridade da primeira besta na sua presença…‖ Na Bíblia, uma besta representa um rei ou reino. A exemplo de Nabucodonosor, que foi um poderoso, vemos aí outro líder totalitário. ―Faz com que a Terra e os seus habitantes adorem a primeira besta, cuja ferida mortal fora curada.‖ Vemos novamente o evento de uma adoração universal. Ele faz com que a Terra adore…  


 
 
Verso15: ―E lhe foi dado comunicar fôlego à imagem da besta, para que, não só a imagem da besta falasse, como ainda fizesse morrer quantos não adorassem a imagem da besta.‖ No capítulo 3 de Daniel há uma imagem falsa representando espírito de desobediência a Deus e relacionada com o ato de adoração. Em Apocalipse 13, essa imagem falsa refere-se ao poder da besta. Em Daniel 3, a gigantesca imagem de ouro referia-se a um possível reino sempiterno — assim pretendia o rei —, Babilônia. A adoração era compulsória. Adorar ou morrer inapelavelmente. EmApocalipse, uma imagem gerada pelo poder da besta, com direito a adoração imposta por lei.  
O Desafio da Fé
 
A Bíblia diz, em Apocalipse 13, que aqueles que não se curvassem e adorassem a besta morreriam. Existe um paralelismo distinto entre Daniel 3 e Apocalipse 13. Havia problemas nos dias de Daniel e haverá problemas no final dos tempos. Quando se levantar mais uma vez um poderoso líder mundial, a besta surgirá. Ela emitirá um decreto universal unindo o Estado e a Igreja. O primeiro efeito do decreto será um boicote econômico. Apocalipse 13 diz que ninguém poderá comprar ou vender a não ser que tenha a marca da imagem da besta. Haverá uma imagem falsa, um sinal ou marca falsa, representando a autoridade da besta. A imagem de ouro no campo de Dura era um sinal inequívoco da autoridade de Babilônia. A adoração daquela imagem representava culto a Babilônia. Haverá um sinal, marca ou símbolo da autoridade do poder da confederação Igreja-estado perto do fim. Aqueles que não concordarem com essa coligação e permanecerem fiéis a Deus, terão que desafiar a morte mantendo inabalável sua lealdade a Deus. A Bíblia diz que eles terão uma fé similar a de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego.  
 
Mas neste momento alguém pode me interromper e dizer que está interessado em saber quem é a besta. Quer saber sobre a questão da compra e venda. Permita-me explicar-lhe resumidamente. Vamos supor que hoje lhe diga quem é a besta e o que é a sua marca. Você então fica sabendo quem é a besta e o que significa sua marca, mas se não acreditar em Jesus todo o conhecimento sobre a besta e sua marca não conduzirão você à salvação. O que é mais importante: saber como ter aquela fé que supera a crise final ou conhecer todos os detalhes sobre ela? A Bíblia não diz que até mesmo os demônios acreditam e tremem? Eles crêem, tremem e sabem o que vai acontecer, mas não têm a fé que entrega tudo a Jesus. Talvez mais importante do que estudar sobre a identidade da besta, seja voltar ao capítulo 3 de Daniel e ver o que está se passando na mente de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. É muito mais importante entender a fé do que saber quem é a besta futura.  
 
Nesse capítulo aparece o chefe de Estado mais poderoso do mundo e ordena que se preste um culto à sua estátua. Ele construiu uma imagem em direta oposição, aberta rebeldia e desobediência a Deus. Mandou aquecer a fornalha sete vezes mais. Esse foi um tempo de prova como nunca dantes para os hebreus. Note o que a Bíblia diz no verso 8, do capítulo 3: Nabucodonosor disse: ―Bem, quando a banda tocar, quando todos ouvirem o som da música, coloquem-se de joelhos com o rosto no chão e adorem.‖ Mas os judeus ficaram de pé enquanto todos ao seu redor estavam com o rosto colado ao chão, adorando aquela imagem de ouro.  
 
―Ora, no mesmo instante, chegaram alguns homens caldeus, e acusaram os judeus; disseram ao rei Nabucodonosor: Ó rei, vive eternamente! Tu, ó rei, baixaste um decreto, pelo qual todo homem que ouvisse o som da trombeta… se prostraria e adoraria a imagem de ouro; e, qualquer que não se prostrasse e não adorasse, seria lançado na fornalha de fogo ardente. Há uns homens judeus, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que não fizeram caso de ti, e a teus deuses não servem…‖ (Cap. 3:8 e 9) ―Eles desafiaram a sua majestade e não podemos tolerar isso.‖ Então Nabucodonosor disse: ―Está bem, tragam-nos à minha presença e falarei com eles.‖ Então trouxeram Sadraque, Mesaque e Abede-Nego.  
 
O rei olha fixamente nos olhos deles e diz: ―É. verdade, ó Sadraque, Mesaque, Abede-Nego, que vós não servis a meus deuses nem adorais a imagem de ouro que levantei?‖ Sabem de uma coisa? Penso que pelo menos nesse instante o rei Nabucodonosor foi mais inteligente do que alguns de nós, às vezes. Alguma vez alguém veio até você e lhe disse que ouviu de outrem algo negativo a seu respeito? E você ficou tão chateado e revoltado porque alguém disse que alguém disse, que outra pessoa disse que ouviu alguém dizer que alguém poderia ter dito algo sobre você. O que Nabucodonosor fez? O homem mais inteligente de sua nação acusou os judeus e o que fez? Chamou-os e perguntou se era verdade. Acredito que muitos problemas de relacionamento seriam resolvidos se seguíssemos essa lição.  
 
O que acha? Se você supõe que alguém falou que outra pessoa disse que alguém disse algo sobre você, por que não pergunta ao próprio que está sendo acusado de iniciar toda essa corrente de maledicência? ―João, eu escutei isso e isso e gostaria de lhe perguntar se é verdade.‖ Se for, resolva o problema; se não for, esqueça o assunto e tenha uma boa noite de sono. Então, Nabucodonosor perguntou: ―É verdade? É verdade?‖ e acrescentou: ―Vou dar-lhes outra chance. Talvez vocês não estivessem prontos. Agora, estejam dispostos a, quando ouvirem o som da trombeta, do pífaro, da cítara, da harpa, do saltério, prostrarem-se. Já lhes dei uma chance, mas não abusem, não abusem da minha paciência. Já tolerei uma vez, mas quando a música tocar novamente quero o rosto de vocês no chão.  
 
No verso 16 encontramos a resposta dos jovens: ―Responderam Sadraque, Mesaque e Abede-Nego: Quanto a isto não necessitamos de te responder.‖ Há coisas que você, em meio às crises, não precisa pensar a respeito. Vou dizer-lhe uma coisa: quando você vai à confraternização de Natal em sua empresa e está em dúvida sobre se vai beber ou não; caso tenha de tomar a decisão na hora, provavelmente acabará bebendo. Se toda vez que estiver vendo TV e aparecem blasfêmias, palavrões e imoralidade, e você pensar se vai ou não assistir ao programa, esteja certo de que continuará a vêlo. Tem coisas que você precisa resolver antecipadamente. Sadraque, Mesaque e Abede-Nego foram até onde puderam em sua dedicação ao rei, mas decidiram antes que não submeteriam sua consciência à imposição real. Antes de irem à dedicação da estátua, tomaram firme decisão: ―Não vamos submeter as convicções de nossa consciência. Seremos fiéis a Deus, custe o que custar.‖ Disseram mais: ―Ó rei, não estamos indecisos. Vossa majestade não precisa dar-nos um dia ou dois para pensarmos na questão. Já fizemos nossa escolha.‖ O verso 17 relata a corajosa decisão dos jovens: ―Se o nosso Deus, a quem servimos, quer livrar-nos, Ele nos livrará da fornalha de fogo ardente, e das tuas mãos, ó rei. Se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses, nem adoraremos a imagem de ouro que levantaste.‖ Em outros termos: ―Majestade, permita-nos dizer-lhe algo: o Deus a quem servimos é tão poderoso, é tão forte, que se Ele quiser livrar-nos, fá-lo-á. Caso contrário, não nos curvaremos, porque preferimos morrer crendo em Deus do que submeter nossas convicções.
 
Fé Vitoriosa
 
Há pessoas que pensam ser a fé algum tipo de mágica, de trucagem. Assim que, sé eu quiser ir a um piquenique hoje, vou orar para não chover. Em algumas partes do país há gente que faz preces para chover e em outras, para não chover. Ou: ―Vou orar porque estou devendo R$. 158,00 no cartão de crédito e Deus vai enviar um depósito para cobertura.‖ A idéia que elas têm da fé é como se ela fosse um amuleto, um talismã tipo pé de coelho, trevo de quatro folhas e outros. Pensam que se orarem nunca ficarão doentes, endividados ou depressivos. Como se a fé fosse uma nuvem na qual você se assenta, faz pedidos a Deus e Ele os defere.  
 
Sadraque, Mesaque e Abede-Nego disseram: ―Sabemos que nossa fé em Deus pode nos levar à fornalha ardente.‖ Uma coisa é certa: a fé não livra você do fogo, mas leva-o através dele.  
 
O cristianismo não é um amuleto da sorte para ―atrair bons fluidos‖ e fazer com que as coisas vão sempre bem. Fé é uma forte confiança em Deus quando as coisas vão mal. Certa vez conheci uma senhora que assistiu a um seminário sobre o livro de Daniel. Estávamos num grande hotel do centro de Chicago. Ela me procurou ao final e disse: ―Sabe, sou cristã e acredito que se tiver fé suficiente, nunca terei câncer. Mas fui ao médico um dia porque percebi que estava perdendo peso, tendo enjôos e outros sintomas, e meu médico diagnosticou que estou com câncer. Tenho um pequeno tumor maligno que está crescendo.‖ E continuou: ―Voltei ao médico e começamos o trata-mento, isso foi há seis meses. Tenho feito quimioterapia e radioterapia, mas ainda continuo com câncer. E como estou muito abalada resolvi procurar meus amigos. Eles me disseram: ‗Veja bem, se você tiver fé suficiente, será curada. Deus irá curá-la.‘ Agora estou com dois problemas, porque tenho câncer e não possuo fé suficiente; porque orei, orei, orei, e quando voltei o câncer estava progredindo. Eles continuaram especulando: ‗Talvez exista algum pecado em sua vida, por isso Deus não pode curá-la.‘‖ Agora ela está com três problemas, o câncer, não ter fé suficiente e algum pecado em sua vida. Ela depois lamentou: ―Quando terminei de falar com meus amigos cristãos, estava tão deprimida e tão desencorajada, porque me sentia uma pecadora e isso deve ser alguma maldição de Deus sobre mim.‖ Então disse: ―Mas quando comecei a entender que Sadraque, Mesaque, Abede-Nego não foram salvos das chamas, mas que Deus estava com eles dentro das chamas…
 
Bem, talvez eu esteja adiantando a história. Vamos ler Daniel capítulo 3. Note que Sadraque, Mesaque e Abede-Nego estão diante de Nabucodonosor. No verso 19 lemos: ―Então Nabucodonosor se encheu de fúria, e, transtornado o aspecto do seu rosto contra Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, ordenou que se acendesse a fornalha sete vezes mais do que se costumava. Ordenou aos homens mais poderosos que estavam no seu exército, que atassem a Sadraque Mesaque e Abede-Nego, e os lançassem na fornalha de fogo ardente. Então o rei Nabucodonosor se espantou, e se levantou depressa e disse aos seus conselheiros: Não lançamos nós três homens atados dentro do fogo? Responderam ao rei: É verdade, ó rei.‖ Ele não conseguia entender: três homens foram lançados no fogo, mas um quarto homem entrou lá, e ninguém estava se queimando. Eles foram lançados na fornalha maniatados, e única coisa que se queimou foram as cordas que imobilizavam suas mãos. Agora estavam livres andando dentro do fogo. O aspecto do quarto indivíduo era como do filho de Deus.  
 
Quando você passa pelas chamas consumidoras dos embates da vida; quando passa pelo fogo do divórcio e está sozinho, deprimido, estressado e a ponto de desistir; quando os dias difíceis não estão no distante futuro, mas agora, consumindo suas energias físicas e psíquicas; quando os filhos que você educou como cristãos se esqueceram dos princípios da fé; quando seu coração está em pedaços e você está chorando, deitado na cama às duas da manhã porque seu cônjuge foi embora, por causa de um envolvimento amoroso; quando você finalmente se aposenta, compra uma bela casa para morar e sua esposa saiu para fazer compras e não voltou para casa. Você está tenso e preocupado, e recebe um telefonema no meio da noite, avisando que ela morreu em conseqüência de atropelamento. Quando você passa pelas chamas da vida e parece que vai ser consumido pelo desespero, a depressão e o desânimo, olhe através de suas lágrimas, porque dentro das chamas de sua vida Ele está lá. Nos desapontamentos e crises da existência, Ele está lá.  
 
Quando era garoto, meu avô costumava criar canários. A criação de canários ficava no segundo andar de nossa casa na Georgia, Connecticut. Certo dia fui assistir meu avô treinar um grupo de canários. Ele pegou um canário e o pôs na gaiola, isolando-o de todo o resto. Então cobriu aquela gaiola com um pano negro, deixando a avezinha em total escuridão. Aí vovô assobiou e logo o canário começou a cantar. O pequeno cantor alado deu um verdadeiro recital. Perguntei a vovô: ―Vovô, o que você está fazendo?‖ Ele respondeu: ―Mark, se você quer realmente treinar um canário, precisa isolá-lo dos demais da espécie e colocá-lo num lugar escuro. O cântico que ele entoar na escuridão será para sempre.‖  

Quando Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, confiantes em
Deus, passaram pelas chamas ardentes da prova de suas vidas, Deus os estava ensinando a cantar uma canção na escuridão, treinando-os a terem fé, ânimo e coragem. Não foi porque Deus não os amava que foram parar na fornalha, mas porque viu neles algo muito valioso que teria de ser refinado pelas chamas do sofrimento. Alguns de vocês poderão estar pensando: ―Não preciso disso agora porque tudo em minha vida está correndo maravilhosamente bem.
 
Não estou passando por nenhuma chama.
 
Pois é, mas o quinhão de sofrimento e dor é inevitável na vida. Enfrentamos agruras, penas, dores em nossa jornada. O mundo em que vivemos não é só feito de ―pêssegos com creme‖, como cantava Pollyana. Todos, em alguma época da vida, passamos pelo fogo. Quando foi a vez de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, eles não passaram sozinhos.  
 
Se você hoje estiver passando pelos fogos das dificuldades, por situações muito críticas e se sentindo derrotado, lembre-se de que o fogo queimará apenas as cordas que o algemam à Terra. Lembre-se de olhar através da fumaça, das chamas, das lágrimas, e verá o Filho de Deus enlaçando-o com Seus divinos e poderosos braços, sussurrando palavras de coragem ao seu ouvido. Tenha em mente que Deus confia tanto em você que lhe permitiu passar por algumas chamas hoje, para que quando a crise final chegar amanhã, quando um grande líder mundial baixar um decreto universal impondo adoração e forçando homens e mulheres a servirem o inimigo das almas em lugar de Deus, você já terá tido experiência com dores, problemas e sofrimentos que o prepararão para os eventos culminantes da história.  
 
Daniel, capítulo três conclui com um magnífico cenário de glória. Um rei pagão abalado pela fé de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. Nabucodonosor olhou para as chamas e viu o Filho de Deus, Cristo, o Salvador poderoso e Defensor de Seu povo. Quando clamo, Jesus responde, Quando estou em luta, com medo, quando preciso muito dEle, o Senhor está presente. Nabucodonosor viu que os jovens hebreus possuíam algo que ele não tinha. Percebeu que tinham um Salvador que ele muito necessitava.  
 
A Bíblia diz, em Danie13, verso 28: ―Falou Nabucodonosor, e disse: Bendito seja o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que enviou o seu anjo, e livrou os Seus servos, que confiaram nEle, pois não quiseram cumprir a palavra do rei, preferindo entregar os seus corpos, a servirem e adorarem a qualquer outro deus, senão ao seu Deus. Portanto faço um decreto, pelo qual todo o povo, nação e língua que disser blasfêmia contra o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, seja despedaçado…‖ Perceba que o rei continua com tendências malignas. Ele continua dizendo: ―Agora quero servir a Deus e não vou forçá-los a servir a imagem, mas os obrigarei a servir a Deus.‖  
 
Sua majestade ainda não entendeu, porém ficou convencido de que Deus salva. Um dia, nas ruas de ouro, num lugar chamado eternidade, onde o ar é fresco e puro e os riachos e rios de águas cristalinas e incontaminadas regarão as terras cobertas de verde perene, onde pássaros e flores imortais alegrarão bosques radiantes… ah, nesse dia não haverá mais doença, sofrimento, dor e morte. Ah, um dia! Em minha imaginação vejo dois homens caminhando juntos e conversando lá no Céu. As evidências bíblicas mostram no capítulo 3 de Daniel que por causa do testemunho de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, porque eles foram fiéis em meio às chamas de sua vida, o rei Nabucodonosor foi salvo. O maior testemunho de que Cristo vive em você, é quando persevera durante as dificuldades.  
 
Cerca de três semanas atrás, presenciei um dos fatos mais tristes de minha vida. Eu estava sentado em meu escritório, onde faço o programa de televisão Está Escrito e Royce Williams, o gerente de nosso programa, entrou na minha sala chorando. Royce já é um homem experiente, mas estava trêmulo. Trazia um fax procedente da China em suas mãos. O programa Está Escrito é muito divulgado na televisão chinesa. Nosso representante nesse país, Dr. Rubem Nelson, tem PhD em estudos chineses e também em saúde. O Dr. Nelson era nosso elo com a China. Falava fluentemente o mandarim, a língua oficial chinesa. Cheguei a fazer duas viagens com ele por esse país. O fax dizia: ―O governo americano sente muito em informá-lo que o Dr. Nelson faleceu esta manhã, ao atravessar uma rua. Estava andando quando foi atingido por um automóvel. Não temos todos os detalhes, mas parece que ele tropeçou no meio fio e caiu para trás batendo a cabeça. Havia um ferimento tão grande na parte posterior do crânio que o sangue o sufocou enquanto os atendentes o punham na calçada.‖ Ficamos profundamente chocados. Foi uma prova de fogo. Pensei em sua esposa, Dorothy, chorando, e em seus filhos. Quando visitamos a família, Dorothy disse: ―Pastor Finley, eu falo chinês e quero voltar para China e continuar o trabalho.‖ Seu filho se levantou e disse: ―Eu também desejo voltar para China e continuar o trabalho de papai.‖ A prova que estavam passando como família não lhes esmagou ou destruiu a fé. Não os tornou rancorosos e sim mais fortes. Não ficaram com raiva, mas ansiosos pela volta de Cristo. E Dorothy disse: ―Vou contar-lhe algo. Pouco antes de irmos para China, Rubem me disse: ‗Dorothy, haverá vítimas em nosso trabalho na China. Alguns morrerão. Eu escrevi uma pequena canção, Dorothy.‘‖ Ele não era músico, porém escrevera uma pequena canção. Ela diz: ―Falta pouco tempo para volta de Cristo. Falta pouco tempo e a tristeza e a morte findarão. Falta pouco tempo e seremos vitoriosos.‖ Ele escreveu a letra e a música pouco antes de morrer. Era como se Deus o estivesse preparando. Essa família passou pelo teste da fé, permitindo que Cristo, o divino Filho de Deus, entrasse nas chamas e ficasse a seu lado dando-lhes coragem, esperança, certeza inabalável e convicção inquebrantável.  
 
Você está passando por consumidoras chamas em sua vida? Algum pesar profundo, um desapontamento amargo? Tenha certeza de que Ele está com você. Procure ver através das lágrimas e das nuvens negras. Você o encontrará em meio de sua noite mais escura e da provação. Vamos orar.
 
Oremos: ―Pai Celestial, obrigado porque nas chamas da vida Tu estás lá. Nas provas da vida, Tu estás lá. Aprendemos em Daniel 2 que Tu és o revelador do futuro. Coloca nosso futuro em Tuas mãos. Em Daniel 3, Tu és o Redentor, entrando nas chamas e salvando-nos. Leva-nos para mais perto de Ti, cantando o hino da salvação na escuridão. Oh Pai, dá-nos coragem e esperança, assegurando-nos de que estás lá. Que todos possamos sentir a Tua presença em nosso coração neste momento. Que todos sintamos Teus braços de amor ao nosso redor, enquanto em meio às chamas da vida. Em nome de Jesus, amém.
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