Revelando os Mistérios de Daniel - Capítulo nº 04 - Estudos Bíblicos Adventistas

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Revelando os Mistérios de Daniel - Capítulo nº 04

Revelando os Mistérios de Daniel
O Livramento Impossível
 
Tudo neste mundo é incerto. Hoje você tem tudo e amanhã não tem mais nada. O capitulo 4 do livro de Daniel traz advertências aos que hoje possuem tudo o que se pode desejar em bens terrenos, e apresenta fortes esperanças àqueles que tudo perderam.  
 
Era uma sufocante noite escocesa de verão. Peter, um adolescente, decidiu pegar um atalho para casa. Ele tinha ido visitar alguns amigos e a noite estava muito escura. Parecia-lhe estar cercado por pesada negridão. Mas Peter cortou caminho por entre a vegetação e escutou o balido das ovelhas, o sussurro do vento e o rumor das ondas do oceano. O caminho que havia tomado era-lhe muito familiar, mas naquela noite, por alguma razão, desorientouse e saiu do rumo, ficando a vagar na escuridão. O negror era tão denso que ele se sentia tragado pelas trevas. Em meio à sombria noite, pensou ter escutado alguém chamá-lo: ―Peter, Peter.‖
 
De início, procurou não dar muita importância àquilo. ―Quem poderia estar me chamando nessa escuridão?‖ Deteve-se por um instante. Quando ia dar um passo, ouviu novamente: ―Peter, Peter.‖ Ficou tão assustado que caiu de joelhos. Quando tentava engatinhar na escuridão, estendeu sua mão e apalpou… o vazio; a uns 15cm à sua frente já não havia chão para se apoiar. Ergueu-se com cuidado e olhou. Havia um despenhadeiro de 15 metros de altura e ele estava a um passo de cair precipício. Pedro ajoelhou-se e agradeceu: ―Deus‖, disse ele, ―muito obrigado por chamar meu nome na escuridão.‖  
 
Naquela noite, Peter Marshall, que mais tarde imigraria para os Estados Unidos e se tornaria um grande pregador do evangelho, teve a sensação de que Deus havia-lhe tocado o ombro e chamado seu nome.  
 
A Conversão do Rebelde
 
Estamos agora na quarta sessão do livro de Daniel. Encontramos novamente um homem que foi escolhido por Deus, um homem cujo nome Deus chamou. De todos os capítulos de Daniel, este é o único que não foi escrito pelo profeta, mas por um rei pagão chamado Nabucodonosor. Leiamos Daniel, capítulo 4, verso 1: ―O rei Nabucodonosor a todos os povos, nações e homens de todas as línguas, que habitam em toda a terra: Paz vos seja multiplicada!‖ Um rei pagão fala de paz; um homem de guerra fala de paz. Um rei cruel, sedento de sangue, que construiu a imagem no capítulo 3 no campo de Dura e ordenou que todos os que não se curvassem ante ela seriam mortos e mandou aquecer sete vezes mais a fornalha, fala de paz. ―Nabucodonosor a todos os povos, nações e homens de todas as línguas que habitam em toda a terra: Paz vos seja multiplicada!‖ Surpreendentemente ele prossegue (verso 2): ―Pareceu-me bem fazer conhecidos os sinais e maravilhas que Deus, o Altíssimo, tem feito para comigo.‖  
 
O capítulo 4 é a história da conversão de Nabucodonosor. É a história de um rei pagão transformado pelo poder de Deus. É como se ele estivesse dizendo: ―Tenho de falar, todos fiquem calados porque eu tenho de falar. Deus transformou minha vida. Deus me converteu. Deus fez algo radical em meu coração, mente e alma.‖  
 
O rei pagão está radiante com a recepção da graça e bondade de Deus. O Senhor conhecia o nome de Nabucodonosor. Deus tocou em seu ombro. A verdade é que Nabucodonosor foi radicalmente transformado, amigo. Se Deus pode pegar um rei ateu, perverso, blasfemo, idólatra e mudar sua vida; transformá-lo radicalmente e implantar paz em seu coração, existe esperança para você e para mim.  
 
Não importa quão desesperado você esteja neste momento; não importa se desobedeceu a Deus e se voltou contra Ele; não importa quão culpado você se sinta por algum pecado cometido. Se Deus pode pegar um rei como Nabucodonosor e transformar sua vida; se Deus pode chamar por nome esse monarca, também pode chamar o seu. Deus pode tocar em seu ombro na escuridão da noite e transformar sua vida. Nabucodonosor diz no verso 3: ―Quão grandes são os Seus sinais, e quão poderosas as Suas maravilhas! O reino é reino sempiterno, e o seu domínio de geração em geração.‖  Nabucodonosor sentiu que precisava contar a história de como Deus transformou sua vida. Todo ser humano tem uma história que é única e distinta. Deus pode transformar a vida daquele cujo cérebro tem sido intoxicado pelo álcool e caiu no fundo do poço; do moço e da moça que se afastaram dEle e se precipitaram no mundo das drogas; do jovem educado num lar cristão, mas cujo coração se fechou para o• evangelho; também daquele que vai à Igreja e vive apenas uma religião tradicional. Cada história é diferente. Essa é uma das coisas que serão muito especiais no Céu. Lá, cada um de nós irá partilhar a singularidade de sua experiência com os demais, a maravilha que Deus operou em sua vida.  
 
Esse é o testemunho do pagão Nabucodonosor (verso 4): ―Eu, Nabucodonosor, estava tranqüilo em minha casa, e feliz no meu palácio.‖ Nabucodonosor não pensava em Deus; tudo estava indo bem. Ele era o imperador e seus subordinados o serviam e cuidavam em atender a todos os seus desejos. Nabucodonosor tinha muito dinheiro e prestígio. Tudo o que seus olhos desejavam, ele tinha. Tudo o que seu coração ansiava era dele. Mas um dia tudo mudou, porque certa noite Deus lhe deu um sonho misterioso que muito o perturbou.  
 
Às vezes, quando a vida lhe sorri com todos os dentes, talvez sua mente e coração se desviam de Deus. Mas uma noite você recebe uma ligação. Sua filha de 14 anos estava atravessando a rua e um carro, a 80 km por hora atropelou partindo-lhe os ossos e matando-a instantaneamente. Nessa noite tudo muda em sua vida. Um dia você, minha amiga, chega em casa e encontra uma carta de seu marido, dizendo: ―Sinto muito, já venho pensando nisso há muito tempo mas nunca lhe disse nada. Estou indo embora.‖ E naquela noite tudo muda em sua vida. Você vem sentindo fraqueza, um pouco de fatiga. Claro que não tem separado tempo para orar e fazer de Deus alguém importante em sua vida. Então vai fazer seu check-up anual e Deus diz: ―Olhe, isto é um aviso.‖ Com os resultados dos exames nas mãos o médico diz: ―Sabe, aquele pequeno caroço que você percebeu no pescoço é maligno e está em fase adiantada. Sinto muito. Você tem seis meses de vida.‖  
 
Existem pequenos e mas impressionantes avisos em nossa vida. Tudo vai bem; sua vida parece estar sob total controle. Você sai, como de costume, para trabalhar na empresa onde já está há 25 anos. Ao se dirigir para sua sala, recebe um aviso lhe chamando na sala do diretor geral. O alto executivo olha para você e diz: ―Sinto muito, mas estamos abolindo todos os cargos de gerência na empresa, como medida de contenção de despesas.‖ Aí você vai engrossar a lista dos desempregados.  
 
A vida tem curvas bem fechadas, montanhas, subidas íngremes, descidas escorregadias, cruzamentos perigosos e trilhas de dificuldades. A vida pode sofrer radical mudança num piscar de olhos. Um telefonema no meio da noite, uma consulta médica, uma carta, uma curva traiçoeira numa noite chuvosa… e tudo muda. Você sai de uma reunião religiosa e está indo para casa, mas não percebe a placa ―pare‖; outro carro passa velozmente e se choca contra seu carro… Você fica paraplégico pelo resto da vida. A vida pode mudar muito rápido.  
 
A Síndrome de Nabucodonosor
 
Nabucodonosor estava muito bem em seu palácio, sem interesse em Deus e nas coisas eternas, mas uma noite o Rei do Universo Se manifestou. As Escrituras dizem, nos versos 5 a 7: ―Tive um sonho, que me espantou; e, quando estava no meu leito, os pensamentos e as visões da minha cabeça me turbaram. Por isso expedi um decreto, pelo qual fossem introduzidos à minha presença todos os sábios de Babilônia, para que me fizessem saber a interpretação do sonho. Então entraram os magos, os encantadores, os caldeus e os feiticeiros, e lhes contei o sonho; mas não me fizeram saber a sua interpretação.‖
 
Ora, grande rei de Babilônia, às vezes você parece agir como um tolo. Desculpe-me, mas acorde, Nabucodonosor. Já não vimos essas pessoas antes: astrólogos, magos, feiticeiros, caldeus? Onde foi que os vimos? Em qual capítulo falamos sobre eles? No capítulo dois.  
 
Você está lembrado de que o rei teve aquele sonho e mandou chamá-los. Eles vieram e o rei lhes disse: ―Consultem as estrelas e falem-me sobre o futuro.‖ ―Desculpe-nos, ó rei, mas não sabemos.‖ Então se voltou para os feiticeiros e médiuns e ordenou: ―Façam seus encantos mediúnicos e me digam o que eu sonhei.‖ E eles responderam laconicamente: ―Não podemos.‖ Olhou para os mágicos e exigiu: ―Pois bem, derramem óleo sobre a água e leiam os desenhos. Cortem o fígado do boi ao meio e descubram o que sonhei? Qual seu significado?‖ ―Lamentamos majestade, mas não sabemos.‖
 
Ora, ora, Nabucodonosor, se eles não conseguiram no capítulo dois, porque então você os manda chamar para resolver o enigma do sonho do capítulo 4? Você não tem bom senso? Vejamos agora o verso 8: ―Por fim se me apresentou Daniel…‖ Até que enfim! Será que você, meu amigo, às vezes sofre da síndrome de Nabucodonosor? Costuma ficar preocupado, com o estômago embrulhado, a mente ansiosa, e faz tudo que pode para resolver o problema. Você corre daqui para acolá, vai e volta, telefona para um e para outro… Por último, você se ajoelha e ora. Penso que às vezes manifestamos a síndrome de Nabucodonosor. Sofro dela e acho que você também. Para curar esse quadro patológico espiritual, precisamos primeiro ajoelharmos e buscar a Deus. Precisamos aprender que existe um Deus no Céu que anseia resolver todos os problemas de nosso coração e vida.  
 
Daniel entrou por último e então o rei lhe diz: ―Este é o sonho, Daniel: sonhei que via uma grande árvore. Enquanto olhava para essa grande árvore, vi que no começo era pequena, mas depois foi crescendo, crescendo, crescendo… Aí um ser celestial pronuncia julgamento sobre a árvore e alguém lhe mete o machado. A árvore cai no chão e fica apenas o cepo com as raízes. Leia comigo o verso 10 do capítulo 4:  
 
―Eram assim as visões da minha cabeça quando eu estava no meu leito: eu estava olhando, e vi uma árvore no meio da terra, cuja altura era grande; crescia a árvore, e se tomava forte, de maneira que a sua altura chegava até ao céu; e era vista até aos confins da terra. A sua folhagem era formosa, e o seu fruto abundante, e havia nela sustento para todos. No meu sonho, quando estava no meu leito, vi um vigilante, um santo, que descia do céu, clamando, fortemente, e dizendo: Derrubai a árvore, cortai-lhe os ramos. Mas o cepo com as raízes, deixai na terra. Mude-se-lhe o coração, para que não seja mais coração de homem, e lhe seja dado coração de animal; e passem sobre ele sete tempos.‖  
 
Nabucodonosor diz: ―Daniel, esta é a natureza do meu sonho. Qual é a sua importância? O que esse sonho significa? Em Daniel4, verso 17, o profeta revela a terrível veredicto: ―Esta sentença é por decreto dos vigilantes, e esta ordem por mandado dos santos; a fim de que conheçam os viventes que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens; e o dá a quem quer…‖  
 
Qualquer que seja, pois, o significado desse sonho, ele revela que Deus governa, que Ele é Rei. No capítulo 1 vimos que Deus tomou a derrota de Daniel, quando foi feito cativo, e a transformou em vitória. Ali Deus foi exaltado porque Ele toma a nossa vida despedaçada, nossos sonhos desfeitos, nossas esperanças frustradas e as transforma em vitória.  
 
No sonho da imagem do segundo capítulo conhecemos o Deus que revela o futuro e compreendemos que podemos confiar nEle com toda a certeza, e pôr em Suas mãos nosso futuro. No capítulo 2 Ele é o Revelador. No capítulo 3, vimos o Deus Salvador, Redentor. No capítulo 3, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego foram para a fornalha e Cristo adentra às chamas e os livra da morte. No capítulo 4, Ele é o Rei. De acordo com Daniel4, verso 17, o propósito do sonho é revelar a Deus como o verdadeiro Rei do Universo. Você percebeu como os capítulos 2,3 e 4 se completam?  
 
Quando estudamos o capítulo 4, Deus Se revela como digno de ser louvado, porque Ele é o Rei do Universo e deseja ser o Rei de nosso coração. Nabucodonosor estava em seu palácio e ainda não reconhecera o Deus do Universo como Rei do coração. Como resultado, Deus lhe deu um aviso. Ele sonhou com a grande árvore que cresceu e em cujos ramos as aves do céu faziam ninhos, e os animais do campo abrigavam-se à sua sombra. Enquanto a árvore crescia, um decreto veio do céu dizendo: ―Derrubai a árvore.‖ E a árvore foi cortada, deixando-se-lhe somente o cepo preso em cadeias de bronze e ferro. Guarde essa imagem — as cadeias de bronze e ferro, pois voltaremos a elas mais tarde.
 
Um Sonho Aterrador
 
Pense. Se você fosse Nabucodonosor e Daniel já lhe tivesse, anos antes, interpretado o sonho da grande imagem, o que pediria ao profeta?
Certamente solicitaria que Daniel o interpretasse. Certo?  
 
Acompanhemos a exposição profética: ―Então Daniel, cujo nome era Beltessazar, esteve atônito por algum tempo, e os seus pensamentos o turbavam. Então lhe falou o rei e disse: Beltessazar, não te perturbe o sonho, nem a sua interpretação. Respondeu Beltessazar e disse: Senhor meu, o sonho seja contra os que te têm ódio, e sua interpretação para os teus inimigos.‖ (Dan. 4:19)  
 
Preste atenção nesse verso. Daniel não disse: ―Nabucodonosor, vou me vingar de você agora. Olhe, ó rei, você destruiu a minha cidade, Jerusalém, trouxe-me cativo, fez tudo quanto quis e agora está tendo o que merece. Seu reino está desabando. Aleluia, Louvem ao Senhor! Batam palmas, o rei pagão vai cair como a cidade de Jerusalém‖. É… ele poderia ter dito isso, mas não o fez, pois sabia que nunca influenciaria seus inimigos a não ser amandoos. Daniel é um exemplo extraordinário de que alguém em cativeiro, maltratado, injustiçado, não se toma amargo e sim mais bondoso, tolerante, amável.  
 
Ele foi arrancado de sua terra natal quando tinha apenas 17 anos. Nunca mais viu seu pai, sua mãe; nunca pôde casar-se com a mulher de seus sonhos. Lá, num reino pagão, Deus lhe dá a interpretação do sonho do rei, significando que o império babilônico permaneceria por ora, mas que o rei perderia o seu trono e por sete anos vaguearia como um animal. Daniel não começa a saltar e bater palmas. Ele tem tanto amor para com esse rei pagão, seu inimigo, que o tratou mal e injustamente. Surpreendente, não? Você nunca influenciará aquele sócio que trapaceou nos negócios, roubou seu dinheiro e foi embora, se não o amar. Você nunca poderá exercer salutar influência sobre seu esposo ou esposa que o tratou com desprezo, se tratá-lo(a) da mesma maneira.  
 
A beleza divina é que Ele nunca nos trata como merecemos, mas com amor. Deseja que sejamos bem tratados, porque essa é a natureza de Seu amorável caráter. Daniel, no capítulo 4, está tão assombrado e espantado que reluta em dizer a interpretação do sonho ao rei Nabucodonosor. O monarca, todavia, está muito ansioso por saber e obriga Daniel a contar-lhe. E Daniel revela: ―A árvore que viste, que cresceu, e se tomou forte, cuja altura chegou até ao céu, e que foi vista por toda a terra; cuja folhagem era formosa, e o seu fruto abundante… és tu, ó rei, que cresceste, e vieste a ser forte…‖ (Versos 20 a 22)  
 
―A árvore representa você como um indivíduo, majestade. E Daniel continua: ―Quanto ao que viu o rei, um vigilante, um santo, que descia do céu, e que dizia: Cortai a árvore, e destruí-a, mas a cepa com as raízes deixai na terra, atada com cadeias de ferro e bronze, na erva do campo; seja ele molhado do orvalho do céu e a sua porção seja com os animais do campo, até que passem sobre ele sete tempos. Esta é a interpretação, ó rei; e este é o decreto do Altíssimo, que virá contra o rei, meu senhor; serás expulso de entre os homens, e a tua morada será com os animais do campo, e dar-teão a comer ervas como aos bois, e serás molhado do orvalho do céu; e passar-se-ão sete tempos por cima de ti, até que conheças que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer. 11 (Versos 23 a 25)  
 
O rei representava a árvore e seu corte o julgamento. O cepo significa que o reino continuará e será restabelecido um dia. E sobre a cadeia, a misteriosa cadeia de ferro e bronze? Ferro sempre representa autoridade na Bíblia. O salmo 2 fala sobre a grande vara de ferro, que é autoridade ou liderança. Bronze é sempre um símbolo de proteção; no capítulo 2 representava o império grego. Os gregos estavam protegidos por armaduras de bronze; a pia no santuário de Israel era de bronze, onde o sacerdote lavava as mãos antes de entrar nos lugares santo e santíssimo, porque esse rito simbólico representava purificação protetora.  
 
Então, autoridade e proteção significadas pelo ferro e o bronze. Deus protegeria o rei, o cepo. A autoridade e soberania de Deus cuidariam para que ninguém tomasse o reino. Nabucodonosor o perderia, contudo. A Bíblia diz no verso 25 do capítulo em estudo: ―Serás expulso de entre os homens, e a tua morada será com os animais do campo, e dar-te-ão a comer erva como aos bois, e serás molhado do orvalho do céu…‖ Perceba que a Bíblia diz que o cepo continuará — o reino ficará seguro, o domínio e a proteção divina estarão sobre o reino.  
 
A essa altura o próprio Deus faz um apelo, e diz que o cepo representa a segurança ou garantia do reino babilônico. Deus argumenta com o rei e diz: ―Nabucodonosor, isso não precisa acontecer. Você não precisa perder seu reino, ser retirado de seu trono.‖ ―Portanto, ó rei, aceita o meu conselho, e põe termo em teus pecados pela justiça, e as tuas iniqüidades usando de misericórdia para com os pobres…‖ (verso 27)  
 
Algumas vezes Deus toca em nosso ombro uma, duas vezes, mas nos afastamos dEle vivendo uma vida negligente e desprovida de oração, ocupados exclusivamente com os negócios desta vida em lugar das realidades eternas. Mas, enquanto nos afastamos dEle, sentimos Seu toque gentil. Quando há crises em nossa vida, podemos ter certeza de que não é Deus quem as está causando. Ele, porém, não impede que aconteçam porque sabe que podemos superá-las com seu auxílio. Entretanto, se continuamos em curso de afastamento negligente, de rejeição, Deus permite que o volume de Sua voz seja aumentado, a fim de que aquilo que não aceitamos na alegria, aprendamos na tristeza.  
 
Sofrimento Curador
 
O amor de Deus por você é tão intenso, tão imenso, que o Senhor deseja ensinar-lhe paciente e ternamente os caminhos de uma vida venturosa. Ele permitiu que você nascesse (você não pediu para nascer pois não tinha poder de escolha sobre isso), não mesmo? Seus pais desejaram que nascesse e Deus deu licença. É algo maravilhoso que na mente de Deus você já existia antes de ser gerado. Quando os genes e cromos somos se juntaram e formaram sua estrutura biológica e psíquica, você se tomou um projeto executado da mente divina.  
 
Você veio ao mundo e Deus já tinha um plano para a sua vida. Ele o dotou de liberdade plena de escolha. Quando você faz escolhas de acordo com a vontade divina, Ele tem todas as condições para direcionar sua vida ao sucesso verdadeiro e felicidade total. Mas quando começamos a nos desviar da trilha, Deus toca em nosso ombro. Alguma circunstância, um evento infeliz da vida, algo ruim que acontece… A despeito disso, Deus o ama tanto que prefere permitir que você passe por desapontamentos, desânimo ou tristeza, se isso for necessário para trazê-lo de volta e salvá-lo eternamente, concedendo-lhe uma vida tal que se mede pela própria vida do Eterno — bilhões de bilhões de bilhões… de bilhões de anos. O Senhor dispõe todos os recursos e meios para impedi-lo de fazer opções erradas e lançar fora a vida eterna.
 
Deus olhou para Nabucodonosor e disse: ―Nabucodonosor, não quero que você perca seu trono. Essa não é Minha escolha. Mas, se você não se arrepender, a única maneira que tenho de alcançá-lo é permitir que certas circunstâncias ocorram a fim de sacá-lo do trono.‖ O Soberano do Universo deu-lhe tempo para o arrependimento. Vamos ver os versos seguintes: ―Todas essas coisas sobrevieram ao rei Nabucodonosor. Ao cabo de doze meses, passeando pelo palácio real de Babilônia…‖ (versos 28 e 29) Vejam só isso. No sonho, Nabucodonosor viu que o vigilante celestial cortou a árvore. Ele entendeu que isso era uma predição sobre a perda de seu reino. Daniel disse que tal não ocorreria se ele se arrependesse de seus pecados. ―Volte para Deus, isso não precisa acontecer!‖ Nada aconteceu durante doze meses. Nabucodonosor continuava vivendo da mesma forma.  
 
Sua vida, por acaso, se parece com a desse antigo rei? Deus bate em seu ombro e diz: ―Veja, estou-lhe dando uma oportunidade, uma chance. Não quero retirar minha benção de sua vida e permitir que algo dramático aconteça.‖ Mas como Nabucodonosor, você também ignorou o aviso fazendo algumas escolhas que, em seu coração, sabia não estar de acordo com a vontade de Deus. Nabucodonosor continuou agindo audaciosa, rebelde e arrogantemente, quase se esquecendo do sonho. Observe suas palavras no verso 30: ―Falou o rei, e disse: Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com o meu grandioso poder, e para a glória da minha majestade?‖  
 
Arrogante, Nabucodonosor olha para seu reino e deixa escapar a jactanciosa afirmação: ―Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei?‖ Os arqueólogos descobriram o que acreditam ser o sítio da antiga Babilônia, situado no Iraque, a pouco mais de 800km ao sul de Bagdá. No caminho que leva ao palácio de Nabucodonosor, cada tijolo do piso tem o nome de Nabucodonosor gravado. Milhares de tijolos, todos dizendo: ― Nabucodonosor, Nabucodonosor, Nabucodonosor.‖ Eis a vaidosa reivindicação do monarca babilônico: ―Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei?‖ No auge da arrogância real, Deus ainda lhe havia dado um ano de prazo.  
 
O soberbo monarca se esquecera da advertência de Deus. No final desse ano ele disse: ―Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei?‖ Mas quando Nabucodonosor ainda estava contando prosa, aconteceu algo (verso 31): ―Falava ainda o rei quando desceu uma voz do céu: ‗A ti se diz ó rei Nabucodonosor: Já passou de ti o reino‘.‖
 
Ele fez ouvidos de mercador ao aviso de Deus, às suas advertências pró arrependimento. Não quis aceitar as amorosas instruções provindas do Céu. Recusou a misericórdia divina e perdeu seu trono num momento. A Bíblia diz, no verso 32: ―Serás expulso de entre os homens, e a tua morada será com os animais do campo; e far-te-ão comer ervas como os bois. No mesmo instante se cumpriu a palavra sobre Nabucodonosor, e foi expulso de entre os homens, e passou a comer erva como os bois, o seu corpo foi molhado do orvalho do céu, até que lhe cresceram os cabelos como as penas da águia e as suas unhas como as das aves.‖  
 
O Régio Homem-Lobo
 
Puxo pela minha imaginação e vejo a cena: Quem é aquele lá que está amparado sobre quatro pernas? O vento está soprando em minha direção e eu posso sentir o cheiro acre, nauseante, de seu corpo. O cabelo é longo malcheiroso, desgrenhado, imundo, pegajoso. A barba tem um aspecto repulsivo. Seus olhos estão encovados, esbugalhados e sem brilho. As mãos imundas, com unhas alongadas como presas e prenhes de sujeira. ―Quem é este?‖, pergunto. ―Nabucodonosor‖, responde você, ―o rei de Babilônia‖. Ele morava num palácio, um dia o cetro real esteve em suas mãos; Um dia, ao seu comando, os poderosos e temíveis exércitos babilônicos marchavam. Ele era o erudito rei de Babilônia, conhecedor de astrologia, matemática e ciências. Ele é o homem mais rico do império, possuidor de palácios no Sul e Norte, castelos de inverno, de verão. Tudo o que deleitava os olhos e despertava o bom gosto, era dele. O rei de Babilônia agora vagueia como um animal, com o corpo imundo, malcheiroso; ele geme, ronca, rosna, uiva. Ele perdeu tudo.  
 
Você sabia que os cientistas fizeram uma descrição como essa recentemente? Trata-se de uma doença mental chamada insanidade licantrópica. Acontece quando um indivíduo vê a si mesmo como um animal, um lobo. O quadro clínico apresenta negligência de higiene pessoal; o indivíduo perde a postura bípede, ereta, andando de quatro, comportando-se como um animal. A insanidade licantrópica é de progresso rápido, com surgimento repentino e produzindo no indivíduo uma negligência total da aparência pessoal e higiene própria.  
 
Deus permitiu que o rei tivesse essa doença estranha e ficasse andando de quatro, rosnando, uivando, ressonando, sujo e malcheiroso. Sete anos se passaram com Nabucodonosor nessas condições animalescas. Na verdade, a história de Nabucodonosor é a nossa história, a história da espécie humana. Nabucodonosor sentou no trono em orgulho, arrogância, rebelião e pecado. Ele perdeu seu trono, vagueou pelo campo como um animal.
 
Quando Deus criou a Terra, deu seu domínio a Adão e Eva. Eles também se assentaram no trono como governantes deste planeta, guarnecidos por um manto real de justiça. Tinham o diadema da glória de Deus sobre as cabeças, eram parte da família real celestial. Adão e Eva eram filhos de Deus. Por causa do pecado, rebelião, orgulho e arrogância, porém, perderam sua natureza original e foram transformados ou deformados. Era-lhes mais fácil, depois da ―licantropia do pecado‖, fazer o mal do que o bem; seu coração era facilmente enganável e desesperadamente débil. Podemos identificar-nos com Nabucodonosor. Somos parte da família perdida. Nossa natureza se mudou. Você já se interrogou por que é mais fácil ficar irritado do que ser paciente? Já se perguntou por que é mais fácil ser egoísta do que generoso? Já se questionou por que você tem de lutar constantemente contra pensamentos impuros, palavras ásperas e contundentes? Porque nossa natureza, nosso fundamento, nosso interior mudou. Existe algo basicamente errado conosco.  
 
Nabucodonosor perdeu a coroa, o trono, o manto real, a capacidade de governar. Sua natureza havia se transformado e ele vagava entre os animais. Nessa história infeliz (mas com final feliz) a Escritura diz que existe esperança para aqueles que desafiaram a natureza, que se corromperam e destruíram. Daniel, capítulo 4 verso 34, diz: ―Mas ao fim daqueles dias eu, Nabucodonosor, levantei os olhos ao céu, tornou-me a vir o entendimento, e eu bendisse o Altíssimo, e louvei e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo domínio é sempiterno, e cujo reino é de geração em geração.‖  
 
―Eu, Nabucodonosor, levantei os olhos para o céu‖. E o céu baixou até ele e encheu sua alma de glória. Deus tocou Nabucodonosor. Deus fez por ele o que ele nunca conseguiria fazer por si mesmo. Deus transformou Nabucodonosor. A Bíblia diz: ―E assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura: as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.‖ (II Cor. 5:17)  
 
Nabucodonosor foi miraculosamente transformado enquanto levantava os olhos ao céu. O impossível aconteceu; aquilo que dificilmente ocorreria, sucedeu. Essa é a história da salvação. O homem foi criado perfeito por Deus, mas o pecado deformou, corrompeu nossa natureza. O espírito de rebelião penetrou os tecidos, cromossomos e genes de nosso corpo, programandonos, por assim dizer, a fazer o que é errado. Nabucodonosor olhou para o céu porque não conseguia transformar a si mesmo. Do mesmo modo, não podemos mudar a nós mesmos. Por mais que você tente ser paciente, todo esse esforço não o torna paciente. Por mais que tente ser puro, não conseguirá. Por mais que você tente ser generoso, será sempre egoísta. Por mais que você tente ser honesto, não poderá ser probo sempre. Isso porque existe algo fundamentalmente errado dentro de nós. O âmago da natureza humana é pecaminoso.  
 
A exemplo de Nabucodonosor, podemos olhar para o céu e sentir agora mesmo que Deus nos pode transformar. Que Ele — unicamente Ele — pode fazer-nos honestos, puros, generosos e bondosos. Só temos de olhar para o céu. Não existe outro lugar ou outro alguém para se olhar. Olhando dentro de mim só vejo uma natureza humana decaída. Mas, contemplando a Deus, minha fraqueza se une à Sua força, minha fragilidade ao Seu poder, minha maldade se une à sua justiça.  
 
Você não gostaria de dizer agora: ―Senhor, eu não consigo transformar-me. Como Nabucodonosor, sinto que também falhei. Mas sei, Senhor, que Tu tens misericórdia, compaixão e amor incomparáveis, inexcedíveis. Senhor, mesmo tendo eu Te dado as costas, Tu não me abandonaste; mesmo tendo andado distante de Ti, não Te distanciaste de mim; mesmo tendo batido em Tua face e Te ignorado, oferecestes Teu amor, bondade e compaixão. Jesus disse: Todo que vier a Mim, de maneira nenhuma o lançarei fora‖.  
 
Enquanto curvamos nossa fronte para orar, diga comigo: ―Querido Senhor, Não posso mudar a mim mesmo. Sei que somente Jesus pode me transformar, e desejo mudar neste momento.‖  
 
Talvez você seja alguém que esteja lutando com algum pecado, mas também Deus está tocando seu ombro. Ele quer que você abandone esse pecado, mas se você continuar resistindo, irá afundar se continuar nessa direção. Você pode sofrer um desastre como Nabucodonosor. Não gostaria você, meu amigo, de dizer: ―Senhor, eu preciso de uma direção para a minha vida e quero ser transformado agora. Preciso de algo que não tenho. Sei que minha natureza pecaminosa fica impedindo a Deus de operar em minha vida. Quero colocar minha mão em Tua mão. Quero Tua força em minha vida.‖  
 
Oremos:Querido Pai celestial, muito obrigado pelo poder de Deus. Muito obrigado, porque como Nabucodonosor, enquanto vagávamos perdidos pelo mundo, Tu estavas lá. Enquanto vagávamos confusos, Tu estavas lá. Enquanto vagávamos perplexos, Tu estavas lá. Obrigado, querido Pai, porque mesmo tendo desistido de tudo, nunca desististe de nós. Às vezes, quando não sabemos quem somos, Tu continuas considerando-nos como Teu filho, Tua filha. Obrigado, porque mesmo sendo nosso coração enganoso e desesperadamente perverso, Tu podes mudá-lo e transformá-la. Obrigado por nos dares a conhecer as lições na vida de um rei pagão que sentiu Teu poder transformador. Em nome de Jesus.
 
Amém.
     
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