Revelando os Mistérios de Daniel - Capítulo nº 08 - Estudos Bíblicos Adventistas

Estudos Bíblicos Adventistas
Ir para o conteúdo

Revelando os Mistérios de Daniel - Capítulo nº 08

Revelando os Mistérios de Daniel
Finalmente Salvos
 
Algumas vezes parece que o falso estigma de que os bons sempre perdem e os maus sempre vencem é verdadeiro. Homens maus são valorizados, homens bons são desvalorizados, mas a verdade sempre triunfa e os bons alcançarão a vitória.  
 
Alcançamos o oitavo capítulo de Daniel. No capítulo anterior vimos que um pequeno mas poderoso chifre iria surgir, um poder político-religioso que sairia do império romano com pretensões de trocar a Palavra de Deus pela tradição, a lei de Deus pela lei dos homens, os ensinamentos divinos por ensinamentos humanos e modificaria os mandamentos de Deus.  
 
Para melhor compor a análise deste capítulo recordemos por uns momentos o que se acha escrito em Daniel 7, versos 26 e 28. Daniel viu o que aconteceria na Terra, a marcha da história humana, o curso dos reinos terrenos. Penso que algumas vezes seria muito bom se pudéssemos esquecer o que acontece ao nosso redor, e pensar sobre o que acontece acima de nós. Seria bom esquecer os problemas, provações, dificuldades e dores de cabeças que temos na Terra e olharmos, através da fé, a sala do trono de Deus. ―Mas o tribunal se assentará em juízo, e lhe tirará o seu domínio, para o destruir e para o desfazer até o fim. O reino e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo. O seu reino será um reino eterno, e todos os domínios o servirão e lhe obedecerão.‖  
 
Daniel 7 termina com alegria e felicidade aquele capítulo. Vê a espécie humana toda obedecendo e servindo a Deus. A Bíblia diz: ―… e todos os domínios servirão e obedecerão a Ele.‖ Quando Deus criou a Terra, no Jardim do Éden, Adão e Eva foram enganados pelo pai do mal e comeram o fruto da árvore do bem e do mal e, como resultado, perderam o Jardim do Éden. Tornaram-se rebeldes. Nosso planeta é um mundo revoltado, cheio de destruição. Quando Adão e Eva pecaram, abriram as portas deste mundo para sofrimentos, morte, desastres, angústia e problemas. Jesus veio para mostrar que homens e mulheres, vivendo neste mundo, com todas as tentações de Satanás, poderiam ainda obedecer e servir a Deus. Na verdade, em João capítulo 8, verso 29 encontramos o lema da vida de Jesus. Num mundo desobediente, Cristo foi obediente; num mundo rebelde, Cristo foi leal. Com toda propriedade pôde Ele afirmar: ―Aquele que Me enviou está comigo; Ele não Me deixou só, pois sempre faço o que Lhe agrada.‖ Jesus colocou em seu coração honrar o Pai.  
 
Em Daniel 7 está escrito que um dia o mundo inteiro irá adorar e obedecer novamente a Deus. No capítulo 8 o conflito intensifica-se. O profeta focaliza eventos que acontecerão no fim dos tempos. Mais uma vez Deus antecipa o conhecimento dos acontecimentos finais da Terra.

 
No capítulo 8 de Daniel os animais usados para representar as nações não são mais o leão, o urso, o leopardo e o dragão. Vamos começar a leitura e estudo a partir do verso 3 até o verso 6: ―Levantei os olhos, e vi um carneiro que estava diante do rio, o qual tinha dois chifres, e os dois chifres eram altos. Um dos chifres era mais alto do que o outro, e o mais alto subiu por último. Vi que o carneiro dava manadas para o Ocidente, para o Norte e para o Sul. Nenhum animal podia estar diante dele, nem havia quem pudesse livrar-se das suas mãos. Ele fazia conforme a sua vontade, e se engrandecia. Estando eu considerando, vi que um bode vinha do Ocidente sobre toda a Terra, mas sem tocar no chão, e aquele bode tinha um chifre notável entre os olhos. Dirigiu-se ao carneiro que tinha os dois chifres, ao qual eu tinha visto diante do rio, e correu contra ele no furor da sua força.‖  
 
Há um combate entre o carneiro e o bode. O carneiro baixa sua cabeça e o bode também e eles trocam manadas. É vital que consideremos um ponto: o carneiro e o bode eram animais usados no ritual do santuário. Deus quer nos dizer alguma coisa mediante o uso do simbolismo do carneiro e do bode. Ele quer que saibamos que mesmo antes de começarmos a estudar essa profecia, o Senhor nos está chamando a atenção para o santuário.  
 
O Processo Expiatório
 
Suponhamos que você vá viajar e eu lhe digo que antes de chegar ao destino final, irá cruzar uma ponte. Depois de passar por ela você irá encontrar uma curva e depois um lago. Às margens desse lago existe uma montanha. Quando chegar perto da ponte, você dirá estar chegando perto. Vêem o lago e diz estar mais perto ainda e, ao ver a montanha, dirá estar quase lá. As indicações que lhe dei apontavam para o fim da viagem.  
 
Em Israel, se uma pessoa pecasse deveria oferecer um sacrifício. Tinha de trazer um cordeiro perfeito e sem manchas. Por que perfeito e sem manchas? Quem será que era representado pelo cordeiro? Cristo. Jesus cometeu algum pecado? Absolutamente não! Ele nunca pecou, mas tornou-Se pecador em nosso lugar e assumiu nossa culpa do pecado. Jesus, o Cristo perfeito, era representado pela ovelha perfeita e sem manchas.  
 
Como pecadores, não podemos entrar no santuário sem oferecer um sacrifício. No lugar santíssimo, o segundo compartimento do santuário, está a arca do concerto com a santa lei de Deus em seu interior e querubins a encimar-lhe a tampa ou propiciatório. Entre os seres celestes se manifesta a glória de Deus. Repetimos: não podemos nos aproximar de Deus sem oferecer sacrifícios, porque somos pecadores e nos rebelamos contra Deus. Então, oferecemos sacrifícios porque foram os nossos pecados que levaram Cristo à cruz. Comparecemos diante de Deus como culpados pecadores, mas ao oferecermos nossos sacrifícios, o peso dos nossos pecados é erguido de nossos ombros, e a angústia da culpa é retirada de nosso peito.  
 
Pensem em Cristo sobre a cruz. Imaginem o seu Cordeiro imaculado morrendo na cruz, seu sangue gotejando de Suas mãos e fronte. Ainda em sua imaginação, aí mesmo onde você está, diga: Ó Senhor, perdoa-me!  
 
A Bíblia diz que: ―Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar.‖ O peso da culpa pode agora mesmo ser suspenso de seus ombros. Ele é o Cordeiro de Deus que foi morto por você. Seu sangue derramou-se por você. Aproximamonos de Deus ao nos achegarmos a Cristo.  
 
No antigo santuário hebreu, o sacerdote apanha o sangue e entra no santuário. Ali, no compartimento conhecido como Lugar Santo, ele esparge o sangue do animal na cortina que separa o Lugar Santo do Lugar Santíssimo. O sacerdote ali é o representante do pecador. Quando me dou conta de que ao pecar, ao me irritar, ficar nervoso, impaciente, ao cometer atos desonestos, lembro-me de Cristo na cruz morrendo por mim. Ele é o meu Cordeiro expiatório. Penso também que Cristo subiu aos céus e, diante da Sagrada Lei que transgredi, levanta Seus braços e abre as mãos feridas. Ele é o meu Sumo Sacerdote. Sou necessitado — e muito! — do Cordeiro que foi morto e do Sacerdote que vive.  
 
Jesus representa a você e a mim diante do trono do Pai. Você e eu somos a preocupação, o peso de Seu coração. Nossa dor O atinge. Ele é sensível às nossas dores, desilusões e sofrimentos. Temos um representante no Santuário celeste. A Bíblia diz: ―Ele vive para interceder por nós.‖ E também: ―Prostremo-nos diante do trono da graça, onde nós achamos ajuda na hora da necessidade.‖  
 
No santuário hebreu, uma vez ao ano, acontecia uma festa especial, a festa da purificação do santuário. O cordeiro e o bode eram animais usados para um sacrifício especial feito no último dia da festa da purificação do templo, no dia do julgamento. Por que Deus mudou o simbolismo usado anteriormente, das quatro bestas por dois animais: o cordeiro e o bode, a fim de representar duas nações das quais havia Ele falado antes? Quando você começa a ler o capítulo 8, Deus quer que perceba que quando Ele usa o cordeiro e o bode, é porque está apontando para o fim dos tempos, ao juízo final, à purificação do templo.  
 
No capítulo que estamos estudando, Deus está procurando localizar-nos no tempo e dizendo: ―Estou-lhes dando alguns sinais para mostrar aonde vocês estão indo.‖ Mas a quem o cordeiro e o bode representavam? Naturalmente, uma besta representa um reino, mas Deus usou esses dois animais para apontar-nos o Santuário. Daniel 8, versos 20 e 21: ―Aquele carneiro que viste com dois chifres são dois reis, são estes os reis da Média e da Pérsia. Mas o bode peludo é o rei da Grécia; e o grande chifre que tinha entre os olhos é o primeiro rei.‖ Quem foi o primeiro rei da Grécia? Alexandre, o Grande. O cordeiro representava a Medo-Pérsia, o bode a Grécia e o primeiro rei, Alexandre. Porém, lembrem-se de que Deus usou esses animais especiais porque capítulo versa sobre o santuário e o final dos tempos no santuário.  
 
Os animais do santuário evidenciam que Deus não fala agora sobre mudanças políticas, mas sim religiosas. Em Danie12, vimos Satanás atacando a autoridade de Deus. Em Daniel 7, o arquiinimigo lança seus ataques contra o reino de Deus, mas em Daniel 8, o enganador ataca a verdade de Deus no final dos tempos.  
 
Guerra ao Santuário
 
Dos animais descritos nesse capítulo, é dito que o cordeiro possuía dois chifres. Por que será? Que nação derrotou a Babilônia? Medo-Pérsia. E a Bíblia diz em Danie18, verso 3 ―Levantei os olhos e vi um carneiro que estava diante do rio, o qual tinha dois chifres, e os dois chifres eram altos. Um dos dois chifres era mais alto do que o outro, e o mais alto subiu por último.‖ Temos dois chifres, um menor e outro, maior, que surgiu por último. A Pérsia, o maior,dominou sobre a Média. Os persas eram mais fortes que os medos. E eles surgiram depois, conforme estava profetizado.  
 
Vejamos o verso 4: ―Vi que o carneiro dava marradas para o Ocidente, para o Norte e para o Sul.‖ A Medo-Pérsia atacava o ocidente, ao Norte e ao Sul. Agora o verso 5: ―Estando eu considerando, vi que um bode vinha do Ocidente.‖ Sabemos que o império grego surgiu do Ocidente. O bode, que representava a Grécia veio ―sobre toda a terra, mas sem tocar no chão, e aquele bode tinha um chifre notável entre os olhos e dirigiu-se ao carneiro que tinha dois chifres [a Medo-Pérsia] ao qual eu tinha visto diante do rio, e correu contra ele no furor da sua força.‖ Foi exatamente isso que aconteceu quando a Grécia derrotou a Medo-Pérsia. Verso 8: ―Vi o chegar perto do carneiro, e, irritado contra ele, o feriu e lhe quebrou os dois chifres… o bode se engrandeceu sobremaneira; estando, porém, na sua maior força aquele grande chifre foi quebrado.‖ Quando Alexandre, o Grande, estava no auge de sua fama e conquistas, morreu prematuramente — o grande chifre foi quebrado. Em seu lugar, como sucessores, surgiram quatro generais que tomaram conta do império. ―… E subiram no seu lugar quatro também notáveis, para os quatro ventos do céu.‖ Assim como o leopardo de Daniel 7 representa a Grécia, como as asas do leopardo representam conquistas céleres, como as quatro cabeças do leopardo representam os quatro generais do reino de Alexandre, Cassandro, Lisímaco, Ptolomeu e Selêuco — também o bode que corre velozmente e não toca o chão, representa Alexandre, o Grande.  
 
Um desses chifres ou uma das quatro divisões da Grécia, tornou-se naturalmente a líder do império, um pequeno chifre. Já lemos sobre um pequeno chifre em Danie17, certo? Um pequeno chifre que surgiu após Roma. Agora lemos que de uma das divisões da Grécia ou região do Ocidente europeu, surgiu um pequeno chifre. Vejam que interessante: ―De um deles saiu um chifre muito pequeno, o qual cresceu muito para o sul, para o Oriente e para a terra formosa.‖ (verso 9) Portanto, Roma pagã começou a crescer para o Sul e para o Oriente. O governo de Roma abre caminho para o surgimento de um poder religioso.  
 
O que acontece no verso 9 é um crescimento horizontal. O império romano se espalha pela Europa, mas o verso 10 diz: ―Engrandeceu-se até o exército do céu.‖ Ah! Esse não é um poder político, mas um poder religioso que toca o céu. ―… E alguns do exército, e das estrelas desse exército, deitou por terra,e as pisou.‖ (verso 11) ―Sim, ele se engrandeceu até o príncipe do exército, dele tirou o sacrifício contínuo, e o lugar do seu santuário lançou por terra.‖ Quem é o príncipe do exército? Quem é ele? Jesus Cristo. Esse poder elevou-se até o príncipe do exército. Mantenha Daniel 8 marcado e vamos para II Tessalonicenses. Você está lembrado do que lemos no capítulo 7 de Daniel, de que haveria um apartamento da verdade? Vamos ler II Tessalonicenses, capítulo 2, versos 3 e 4: ―Ninguém de maneira alguma vos engane, pois isto não acontecerá sem que antes venha a apostas ia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição.‖ Você sabe o significado da expressão ―filho da perdição‖? Significa que ele é um traidor da verdade e que estabeleceu suas próprias palavras como sendo verdade. O verso 4 diz: ―Ele se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou é objeto de culto, de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus.‖
 
Segundo o capítulo 7 de Daniel, haveria um poder políticoreligioso cujo líder reclamaria os privilégios, atributos e prerrogativas de Deus. Dentre esses pretenderia mudar a lei de Deus. O profeta descreve uma apostasia ou abandono da verdadeira Palavra de Deus. Daniel 8 continua com o mesmo tema. Já que estamos com a Bíblia aberta em o Novo Testamento, vamos ler Atos. Quero que você veja que em todo o Novo Testamento, a grande preocupação dos apóstolos com esse acontecimento e todos as advertências e conselhos que deram sobre ele. Eles apelavam para que todos os crentes fossem fiéis às Escrituras, e estariam dispostos a dar a própria vida para serem fiéis à Bíblia.  
 
Os apóstolos apelavam à estrita fidelidade a Deus. Leiamos Atos capítulo 20, verso 28: ―Olhai por vós, e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a Igreja de Deus, a qual ele comprou com o Seu próprio sangue. Sei que depois da minha partida entrarão no meio de vós lobos cruéis que não pouparão o rebanho.‖ O que Paulo está dizendo é que quando ele morresse, haveria uma grande perseguição.‖ Acentua que dentre os próprios crentes surgiriam homens perversos que buscariam desviar o rebanho. Que coisas perversas seriam essas? Mentiras, falsidades, heresias. O apóstolo Paulo disse exatamente a mesma coisa que o profeta Daniel. Líderes religiosos surgiriam convertendo até os pagãos, mas introduziriam idéias e formas pagãs de adoração no cristianismo. Haveria um abandono da Bíblia. O conselho apostólico apela para uma volta às Escrituras, à obediência a Deus.  
 
O pequeno chifre estendeu seus domínios por toda a Europa e atacou o exército celeste. Lançou a verdade por terra. Mas a Bíblia diz que essa verdade agredida e posta no chão seria, no final, completamente restaurada. Voltemos a Daniel 8 e leiamos os versos 12,13 e 14. Confirmado! A verdade seria restaurada e as tradições disseminadas por toda a Terra derrotadas pela luz da verdade divina. ―O exército lhe foi entregue com o sacrifício contínuo, por causa das transgressões. Lançou a verdade por terra, e prosperou em tudo o que fez. Depois ouvi um santo que falava, e disse outro santo àquele que falava: Até quando durará a visão do sacrifício contínuo, e da transgressão assoladora para que seja entregue o santuário, e o exército, a fim de serem pisados?‖  
 
A Restauração do Santuário e o Juízo Final
 
Por quanto tempo o santuário divino seria lançado por terra? Um poder político-religioso se projetaria e buscaria destruir a verdade sobre Jesus e o sacrifício. Todos os tipos de intercessores seriam criados em substituição a Jesus. Seriam imaginados e disponibilizados todos os tipos de penitências para obscurecer a intercessão de Cristo. A verdade sobre Jesus, o único intermediário entre Deus e os homens, seria prostrada ao chão. A verdade sobre a lei divina, que mostra o caminho da obediência a Deus para homens e mulheres, seria substituída por tradições humanas.  
 
Em Danie18, versos 12, 13, vemos dois santos no céu. Freqüente-mente na Bíblia, santo tem dois significados, dependendo do contexto em que se insere. Pode ser atinente a crente, se for atribuído aos fiéis de Deus na Terra. Algumas vezes, a palavra santo significa seres angelicais. Assim, Daniel aqui está falando sobre anjos, seres santos celestiais. Se você possui uma tradução moderna da Bíblia, provavelmente lerá assim: ―Santos que falavam.‖ Dois seres santos estão conversando e um olha para o outro e pergunta: ―Até quando a verdade sobre Jesus será lançada por terra? Até quando a verdade sobre Jesus, o Salvador, o Único que pode perdoar pecados e que derramou Seu próprio sangue para remir, será assim vilipendiada? Até quando as leis humanas tomarão o lugar das leis divinas? O verso 14 responde: ―Ele me disse: até
 
2.300 tardes e manhãs, e o santuário será purificado.‖  
   
Esquematizemos:     
      
Tempo: 2.300 Dias     
      
Lugar: Santuário       
        
Evento: Purificação    

A verdade divina seria disseminada por toda a Terra, revelando que Jesus é 6 Cordeiro, o Sacerdote, o Caminho para a obediência da Sagrada Lei. No final desse período de 2.300 dias, os pecados seriam purifica,dos pelo juízo final de Deus na Terra. A luz celeste brilharia sobre a Terra, sobre os seres humanos, antes do fim do tempo. E eles saberiam tudo sobre Jesus, o cordeiro sacrificado; todos saberiam que Jesus é o Sacerdote, que Ele é o Único que perdoa. Conheceriam a misericórdia e o poder de Jesus e a legítima lei de Deus.  
 
Percebam que no fim do tempo, tudo versa sobre Jesus. Mas os 2.300 dias podem deixar alguém um pouco confuso. A Bíblia diz: ―Até duas mil e trezentas tardes e manhãs, o santuário seria purificado.‖ Portanto, existem três coisas: Um período de tempo = 2.300 dias; existe um lugar = o santuário e um evento = a purificação desse santuário. Mas se contarmos 2.300 dias a partir dos dias de Daniel, chegaremos até onde? Se são dias literais, quantos dias temos num ano? Trezentos e sessenta e cinco. Mas o anjo disse algo para Daniel que pode causar perplexidade. Vejamos Daniel 8, verso 17. Se esses forem considerados literais, eu mesmo ficaria um pouco aturdido com o que o anjo disse a Daniel: ―Ele veio para perto de onde eu estava; e vindo ele, fiquei assombrado, e caí com o rosto em terra. Mas ele me disse: Entende, filho do homem, porque esta visão se realizará no fim do tempo.‖ Quando essa visão sobre a purificação do templo aconteceria? No fim do tempo. Note que novamente, no verso 19, ele diz: ―Eu te farei saber o que há de acontecer no último tempo.‖ Conclui-se que esse período de 2.300 dias acaba quando o tempo do fim começa. E no fim desse tempo a verdade de Deus é restaurada. Portanto, esses não são 2.300 dias literais. Eles têm de ser algo mais.  
 
Em Ezequiel 4, verso 6, diz: ―Quarenta dias te dei, cada dia por um ano.‖ Segundo a Bíblia, um dia profético é igual a um ano literal. Então os 2.300 dias representam 2.300 anos literais.  
 
Não vamos, por enquanto, abordar a questão do tempo de início do julgamento ou quando esses 2.300 dias começaram, porque desejamos agora focalizar os fatos narrados no capítulo 8. Quando então chegarmos ao capítulo 9, iremos ver exatamente quando começa o fim dos tempos e o Juízo Final, também chamado de ―purificação do santuário‖.  
 
Vimos que anjos estavam conversando e um deles disse para o outro: ―Quando a verdade sobre Jesus, o Cordeiro sacrificado; quando a verdade sobre Sua misericórdia, perdão e atividade sacerdotal intercessória no Céu será revelada?‖ Então o outro anjo respondeu e disse que no final dos 2.300 dias (ou anos) haverá uma grande restauração da verdade. Mas não é apenas um período de tempo mencionado aqui, é também um evento. Os 2.300 anos, desde o tempo de Daniel nos levam ao final dos tempos.  
 
Você estará lembrado de que no capítulo anterior, a Bíblia falou de dois santuários: o terrestre, construído por Moisés, como uma maquete, e o santuário celeste, o verdadeiro santuário que foi erigido e estabelecido por Deus. Surge oportunamente uma pergunta: Qual é o significado da expressão, em Daniel 8:14, ―purificação do santuário‖?  
 
O Dia da Expiação
 
No santuário hebreu, cada dia as ovelhas eram sacrificadas no pátio, sobre o altar de holocaustos. Cada dia os pecadores vinham ao pátio para sacrificar animais. O sangue das vítimas era levado para o Lugar Santo, que é o primeiro compartimento do Santuário. Mas, apenas uma vez por ano o sumo sacerdote entrava no Lugar Santíssimo do Santuário, para realizar um cerimonial muito solene. Ele fazia isso no último dia do ano judaico, chamado Yom-Kippur. Esse era um dia muito especial.  
 
Se atentarmos bem, veremos que cada parte do santuário representa alguma coisa sobre Jesus e Sua vida. O cordeiro sacrificado no pátio representava Jesus morto fora do santuário celeste, ou em outras palavras, no pátio deste mundo. Após a morte de Jesus como Cordeiro expiatório aqui na terra, Ele ascendeu ao Céu e penetrou o santuário celeste como nosso Sumo Sacerdote. Jesus é o cordeiro sacrificial e o sacerdote que vive.  
 
Uma vez por ano, no ritual hebraico, o sumo sacerdote se apresentava ante a presença de Deus, diante da arca do conserto. Ali, diante do tabernáculo, no final do ano judeu, o povo se reunia para um exame profundo e último de seus corações, para a última purificação da alma, e o último comprometimento com a lealdade e obediência.  
 
Cristo morreu no ―pátio‖, 2.000 anos atrás, quando uma cruz foi erguida no Monte Gólgota. Depois de alcançar a vitória para o homem através de Sua morte, Jesus subiu ao céu como o nosso Sacerdote na presença de Deus. A Bíblia ensina que o Pai e o Filho começaram uma obra especial chamada a ―purificação do santuário ou julgamento dos últimos dias‖. O que acontecia no santuário terrestre durante o período da purificação do santuário? Deixemos que a Bíblia responda. Leiamos Levítico, capítulo 16, versos 29 a 33. Ali se fala do último dia do ano religioso hebreu, onde havia uma convocação espiritual chamada Yom-Kippur, o dia da expiação.  
 
No verso 30 lemos: ―Porque nesse dia far-se-á expiação por vós, para serdes purificados. Diante do Senhor sereis purificados de todos os vossos pecados.‖ Esse era um dia exclusivo, o dia do juízo. No capítulo 23 desse mesmo livro, vemos que todo o povo de Israel era convocado a examinar seus corações. Todos deviam estar limpos perante Deus, tanto física como espiritualmente.  
 
Vejamos o verso 29 do capítulo 23. Vamos começar como verso 28 como preâmbulo: ―Nesse dia nenhum trabalho fareis, porque é o dia da expiação.‖ O que significa a palavra ―expiação‖? É a união de três palavras: ―Um com Deus.‖ É isso: a palavra expiação significa que somos um com Deus.  
 
A cada dia os pecadores vinham oferecer sacrifícios que simbolizavam o perdão de seus pecados; cada dia o sacerdote entrava no Lugar Santo do santuário, representando o pecador e levando o sangue do cordeiro; cada dia o povo vinha desencorajado e deprimido pela culpa, mas ia para casa sentindo-se livres, tranqüilos e perdoados. Uma vez por ano, o sumo sacerdote entrava no santuário e se apresentava no Lugar Santíssimo. Enquanto estava perante a arca do conserto, todo o povo ficava reunido ao redor do santuário. Eles saiam de suas tendas e se reuniam nas áreas circunjacente ao Santuário, ajoelhando-se e orando: ―ó, Senhor, nós Te amamos e queremos ser perdoados dos nossos pecados. Queremos ser integralmente obedientes a Ti e um com Deus. O que quer que seja que o Senhor nos ordene, queremos fazer. Qualquer coisa que Te agrade, faremos; desejamos agradar-Te. Qualquer caminho que o Senhor nos mostrar, seguiremos obedientemente.‖
 
O Yom-Kippur dos Tempos Finais
 
Jesus disse que no fim dos tempos, após os 2.300 dias, o santuário seria purificado. Nalgum momento, durante o tempo do fim, iniciar-se-ia uma expiação, um julgamento. Também nalgum momento, durante a fase final do julgamento; Deus fará um último apelo a homens e mulheres para irem a Ele, provarem Sua misericórdia e graça, e abrirem seus corações. Cristo será exaltado novamente perante todo o mundo, como Salvador universal. A luz irá alcançar os confins da terra. Jesus Cristo será exaltado sobre todas as ideologias, tradições e religiões. Cristo será exaltado como o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo, sob a luz da purificação do santuário, do juízo final. Cristo será exaltado como Sumo Sacerdote, Aquele que nos conhece intimamente e está a par de todas as nossas preocupações, males, desânimo, desejos e depressão. Cristo será visto diante do trono de Deus representando a humanidade e intercedendo pelos que Lhe buscam o favor.  
 
Nos últimos dias o santuário seria purificado. Toda a poluição moral e religiosa produzida pelos homens seria trazida à luz, todos os erros secretos e abertos cometidos pelos homens seriam descobertos. As falsidades ensinadas por professores de religião, teólogos e ministros seriam descobertas e banidas do santuário celeste.  
 
O apelo do santuário é o apelo de Jesus como nosso Sumo Sacerdote, para amá-Lo, obedecê-Lo, servi-Lo e entregarmos nossa vida a Ele. É o convite de Jesus, nosso Salvador, a nós. Agora, não importa quão distantes estamos dEle; não importa o quanto O temos desapontado e ofendido, o chamado de Daniel, capítulo 8, é para que nos voltemos para Jesus. O apelo de Daniel 8 não é para nos unirmos em um santuário terrestre, mas é para nos ajoelharmos, em nossos quartos, perante o grande Santuário Celestial imaginando Cristo como o nosso Sumo Sacerdote, dizendo para nós, diante do Universo que nós somos seus filhos. É um apelo para aceitarmos Cristo como nosso Salvador, para abrirmos nossos corações para Ele, aceitarmos Sua grandeza, misericórdia e perdão, e o poder que Ele possui para transformar nossa vida. Ele nos tornará obedientes e dar-nos-á forças para obedecermos à Sua lei. O apelo de Daniel 8 é feito a homens e mulheres que criaram e seguiram religiões, tradições e superstições, para abrirem seu coração a Jesus Cristo.  
 
Você já jogou alguma vez na loteria? Já chegou a ganhar um prêmio? Steve ganhou. Steve ganhou uma extração da loteria do Estado de Ohio, não muito tempo atrás. Já pensou? 107 mil dólares por ano para viver. Nada mal, não é mesmo. Mas, sabe de uma coisa que descobriram sobre pessoas que ganham na loteria? Freqüentemente sua vida se torna amarga, porque aparecem muitos parentes e interesseiros que se julgam no direito de receber alguma parte, os seqüestradores ficam de olho e o próprio felizardo começa a achar que agora tem um monte de necessidades a atender.  
 
Steve não ganhou só uma vez. Dois anos mais tarde ganhou novamente. Daí ele passou a receber mais 20 mil dólares anuais. Cento e vinte e sete mil dólares por ano ou cerca de 10 mil e 600 dólares mensais. Steve estava casado com Kim há 17 anos, mas ele não sabia que nos últimos dois anos ela vinha se encontrando com um outro homem. Nos últimos tempos Kim pediu a Steve que lhe desse o divórcio. Quando ele ganhou o prêmio, ela mudou um pouco de idéia. Claro, não queria perder 127 mil dólares por ano. Mas também não pretendia continuar com Steve. Queria o dinheiro e não o marido.  
 
Decidiu então contratar um assassino por 500 dólares para matar seu marido e assim ficar com o dinheiro. Certo dia, estava ela ao telefone com seu amante, falando sobre seu plano de contratar um homem por 500 dólares para matar seu marido e assim os dois teriam o dinheiro para viver felizes para sempre. Eu disse felizes para sempre? Porém, seu filho de 21 anos ouviu sua mãe conversando com o amante. Foi até seu pai e disse: ―Papai, preciso dizer-lhe algo: a mamãe não é mais fiel a você e está contratando alguém para matá-lo.‖ O pai ficou totalmente chocado. Foi então à polícia e os denunciou, porque sabia de todos os detalhes da história. A polícia seguiu Kim e flagrou-a entregando os 500 dólares para o assassino. Foi em seguida presa em flagrante.  
 
Kim foi para a prisão e Steve começou a pensar: ―Não vou desistir do meu casamento após 17 anos. Existem muitas coisas para nos manter unidos.‖ Em seguida passou a visitar sua esposa na prisão. Após três anos, um novo amor surgiu em seu coração por ela. E quando ela viu a fidelidade e lealdade de Steve, comoveu-se e chorou arrependida em sua cela. Ele retirou as queixas e acusações contra ela e hoje seu casamento é novamente feliz. O amor quebranta nossos duros corações. Não existe nada que aquela mulher não faça para Steve hoje; nada, porque de alguma forma ele conseguiu amá-la e perdoá-la a despeito de tudo.  
 
Quando olho para o santuário, vejo amor em um Cordeiro morto, em Cristo morto por mim. Vejo amor no Sacerdote que entra no santuário e ergue Suas mãos feridas em meu favor. Vejo amor em Seu apelo para amá-lo e obedecê-Lo nestes últimos dias.  
 
Satanás odeia essa verdade. Ele quer instituir penitências e obras meritórias às quais devo obedecer, ao invés de me dirigir a Cristo e aceitar o que Ele fez por mim. O maior de todos os mentirosos cochicha em meus ouvidos: ―Veja o quanto você precisa fazer para ser salvo.‖ Mas Deus replica: ―Venha, aceite o Cordeiro confessando seus pecados, e você será salvo pelo sangue de Jesus e não por obras.‖ Satanás quer colocar todos os tipos de pessoas, instituições, intermediários e sistemas entre e Jesus. Ele fez isso no paganismo com os sacerdotes terrestres e com alguns tipos de cristianismo. Mas existe um só Intercessor entre nós e Deus, Jesus Cristo. Satanás quer que abandonemos a Lei de Deus e por isso desenvolveu um sistema religioso voltado para nós. Mas, como aquela mulher que se comoveu com o amor do marido e que hoje deseja fazer somente o que lhe agrada, assim também quando nossos corações forem tocados pelo amor de Deus, não desejaremos fazer mais nada a não ser agradá-Lo e obedecê-Lo. E nos últimos dias da nossa história, Deus está nos chamando, para amá-Lo  
 
Oremos: ―Pai, nós te agradecemos pelo teu amor. Nós te agradecemos pelo apelo de Daniel para restaurar a verdade hoje, e para amar-Te e obedecer-Te nestes últimos dias e para sempre. Obrigado, querido Jesus, por dar, a nós, a força e a coragem para fazermos isso. Obrigado, porque não só nos perdoas, não só és misericordioso, mas porque há poder no sangue de Cristo para fazer de nós um novo homem, uma nova mulher. Há poder na graça de Cristo que nos transforma e reconstrói. Obrigado por isso, em nome de Jesus, Amém.
Voltar para o conteúdo